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Países Bálticos:

Mais uma conquista.

(E um pouco mais...)


por Osmar A Marques

 

(Lasar Segall, 1930 decada, Eternos Caminhantes)

* O pintor Lasar Segall nasceu na Lituânia, em Viniuls, em 1891, e morreu em São Paulo, em 1957.

 

Colina das Cruzes, na Lituânia

 

2017 foi um ano de plena celebração! Ano de festejar muito nossos 35 anos de convivência

-- Analia e eu --  e para comemorar, decidimos, entre diversas outras atividades, a viagem aos países Bálticos.

 

Saímos da agência plenos de alegria, porque encontramos um pacote incluindo além do objetivo – Estônia, Letônia e Lituânia; a Rússia, Polônia, República Tcheca e uma saidinha em Zurique... Língua oficial, o espanhol.
...

 

As amizades e consequentes cumplicidades aconteceram durante a viagem.

 

Ainda em Moscou, ao sair de uma visita ao Kolomenskoye – antiga fazenda dos czares, Adrian e Karina se perderam nas belezas dos jardins e quase perderam o ônibus... Não se perderam, mas ganharam a nossa amizade e a do Rúben e Nora, que os esperamos no ônibus com salva de palmas...

 

Analía adotou Karina como sobrinha e Adrian entrou na brincadeira de carona. Admirávamos Nora pela sua alegria e felicidade ao fazer poses e caras interessantes para as fotos, pacientemente feitas por Ruben.

 

Agora, já estávamos em Varsóvia! Mesa de bar e muitas canecas de chope sendo consumidas. Dia muito agradável, com céu azul e temperatura amena. Tínhamos todo o final da tarde em liberdade. Sem guia. Sem horários. Ou seria final de noite? Escurecendo muito tarde os momentos se confundiam e havia a espera da lua cheia nesta bela cidade. Além da alegria que nos unia, da vontade de conhecer, a certeza de estarmos numa bela viagem. No dia seguinte, Karina e Adrian seguiam para a Cracóvia, deixando nosso grupo que seguiria para Praga, passando por Wroclaw.


Mais uma rodada de chope, todos concordando que o que vimos superava o que esperávamos que acontecesse. A organização e limpeza de todas as cidades e locais públicos que passamos durante todo o percurso, apesar de não existirem muitas lixeiras. Além disto, as pessoas só atravessam as ruas onde tem passagem de pedestre e a sensação de segurança é enorme. Vimos em Varsóvia, um jovem que empurrou uma senhora, parecia discussão familiar. Imediatamente apareceu um “armário”, que se interpôs entre os dois e logo a seguir, dois silenciosos carros da polícia apareceram. Não ficamos para ver o final.
Aí, começamos a nos lembrar dos fatos que mais nos impressionaram, positiva e negativamente até o momento.
 

Em Moscou, lembramo-nos da chegada ao Aeroporto Domodedovo. A fiscalização dos passaportes foi feita, embora rapidamente, página a página, com lupa. O transferista, um estudante angolano que vive em Moscou, sentou-se ao meu lado na van e me pediu para arrumar um trabalho para ele em Paris. Enquanto lhe respondia que era impossível, ele mantinha toda a sua atenção, mas antes que eu terminasse, percebi que dormia profundamente...


A cidade, a Praça Vermelha e o Kremlin (Fortaleza) com todas as suas catedrais e obras de arte impressionam. E a Catedral Ortodoxa de São Basílio - 1561? Ivan, o terrível achou tão linda, que dizem que para evitar que se construísse outra parecida, mandou cegar o arquiteto...
 

A Universidade é imponente! Dá para sentir que a educação é prioridade.
 

Não esperávamos encontrar cidades tão bem arrumadas e muito menos os carrões de fabricação alemã, sueca e italiana. A fábrica da Lada, existe, mas são raros os seus carros nas regiões que passamos.
 

E o Metrô? Antes da visita guiada às Estações do Metrô, espetacular, fomos almoçar num restaurante russo, com tudo escrito em russo. Ninguém falava outra língua! Tudo escrito em russo! Como era self-service, pedimos uma salada e não vimos azeite e nem temperos. A caixa colocou um sachê, também escrito em russo, na nossa bandeja. Pensamos que era o tempero, pois tinha o desenho de algumas ervas na embalagem. Não era!!!! Era para higienizar as mãos. Quase perdemos a salada toda...


Hum! Escapamos de um tornado que aconteceu em Moscou, com 17 mortos e muito prejuízo. Saímos de manhã, com uma enorme nuvem negra e a tragédia aconteceu à tarde...
 

Para amenizar a distância a ser percorrida, de ônibus, até São Petersburgo (730 km de planície úmida, sem plantações e animais), a viagem foi realizada em dois dias, e tivemos a oportunidade de conhecer a Casa de Tchaikovsky em Klin, a cidade de Tver, o Mosteiro Ortodoxo de Iversky – 1653 em Valday, com pernoite em Novgorod. É a cidade mais antiga – ano 859. Industrial, também tem o seu Kremlin e um interessante bairro do mercado do Séculoo XVI.


São Petersburgo, a Veneza do norte é deslumbrante. Fizemos o passeio de barco num dia bem frio. A Fortaleza de Pedro e Paulo, o Hermitage, a Igreja do Sangue Derramado, o Palácio de Peterhof (Versailles russa), com suas fontes e belos jardins... Curiosamente entramos num pequeno restaurante, onde comemos um strogonoff especial e aí descobrimos que tinha o nome de Rasputin...
 

A passagem pela fronteira da Rússia e da Estônia, foi feita de maneira muito particular. Tivemos que sair do ônibus duas vezes: uma para sair do território Russo e outra para entrar na Estônia. Almoçamos em Narva após visitar a fortaleza medieval.
 

Tallin – a preferida por todos. Medievalmente linda e aconchegante! Tivemos a oportunidade de assistir a um torneio internacional de lutas medievais, montado num acampamento a menos de 500 metros da praça principal. Os competidores vestidos com armaduras, capacetes e armas medievais feitas em ferro, se ajuntavam em equipes. No ringue, entravam duas equipes de três pessoas e o “pau quebrava”. Ferro contra ferro, fazendo barulho para deleite das torcidas. O objetivo era derrubar o adversário e a medida que um caia, um ou mais competidores da equipe em vantagem podia investir contra somente um da outra equipe... A qualquer “perigo”, juízes paralisavam a luta...
 

Ah! E os salsichões, empanadas e sopa vendidos na barraca por mulheres vestidas medievalmente a caráter e em recipientes da época? Delícia... Jantar no também medieval restaurante “Olde Hansa”, tomar a cerveja em jarras de barro, foi uma experiência, repetida e divertida. Verdadeira máquina do tempo!
 

Pausa para fatos interessantes:
 

1) A independência e alegria da professora de biologia, aposentada, que percorria sozinha, todos os recantos das cidades e locais onde passamos, subindo em todas as torres e nos contando o número de degraus que subira;
 

2) A guia que não parava de falar, que contava a história com minuciosíssimos e inservíveis detalhes e durante cerca de uns 700 km nos informava “cegonhas à direita (ou esquerda)...”. Seguida da frase do Adrián: e cracatua à esquerda (ou direita) e muitos sorrisos...
 

3) A fluência das guias locais para falar o espanhol. Surpreendente.
 

4) Ah! O casal de brasileiros que não se entrosava com ninguém!. Quando chegamos ao hotel em Tallin, subiram ao andar, o cartão que funcionava no elevador, não abria a porta do quarto! Desceram para reclamar na recepção três vezes. A atendente “programava” o cartão, eles subiam e nada. Na quarta vez, a recepcionista lhes disse que ia enviar alguém da manutenção para resolver. Enquanto subiam, ele olhou o cartão e viu que estavam tentando entrar no quarto errado... Correram para o quarto certo, entraram e logo depois chegou o eficiente funcionário da manutenção que bateu à porta. – Obrigado! Agora funcionou...
 

5) Duração da noite – entre 23:30 e 02:30 h.
 

6) Como se referem aos russos nos países bálticos: com desdém, “nossos irmãos”, “nossos grandes irmãos...”.
 

Ao sair para Riga, passamos por Parnu, cidade Balneária do mar Báltico. Nenhuma barreira na fronteira, conhecemos Turaida (Jardim dos Deuses) seu castelo medieval com um parque com muitas esculturas – Dainas.
 

Riga, capital da Letônia é a mais moderna cidade dos países bálticos. Suas construções em estilo “art nouveau”, cidade antiga e mercado ficarão na memória. Muitas comidinhas boas e cervejas no mercado! Sem nos esquecermos do restaurante Lido, sua oferta de comidas típicas e preço acessível.
 

Entre Riga e Vilnius* passamos pelo Palácio Barroco de Rundale que teve o mesmo arquiteto do Hermitage. Logo após passarmos a fronteira, sem fronteiras e, já em solo Lituano, visitamos a incrível Colina das Cruzes. Fala-se de 200 a 250 mil cruzes de ferro, madeira, esculturas, etc... cujo início se deve ao Levante de Novembro (1830 – 1831), contra a dominação russa. Depois do almoço em Siauliai em uma cave de um restaurante, cujos funcionários pareciam “pouco amistosos”. Não riam, não nos miravam e não falavam... Resquícios do domínio russo?
 

Uma curiosidade foi conhecer Trakay, cidade que atraiu os Caraítas (ramo do judaísmo) no Sec. XII, seu belo castelo “de contos de fadas” em tijolos vermelhos, à beira de um lago.
 

Vilnius (Capital da Lituânia) – Mais uma surpresa! A cidade das Sete Colinas (alusão a Roma). Cerca de 1200 casas medievais e igrejas barrocas. Conhecer sua cidade antiga foi ótimo. Conhecer a sede da KGB, foi uma experiência dura.
 

Rumo à Varsóvia. Fronteira tranquila. Visitamos o Mosteiro de Wigry – 1667, nu parque nacional (nordeste da Polônia). O Papa João Paulo II aí esteve em 1999. Conhecemos o Mosteiro e seus aposentos. Depois do almoço no simpático restaurante de Augustow, partimos para a Varsóvia.
 

Enfim Varsóvia!
- Não estou acreditando que Varsóvia foi quase totalmente destruída durante a guerra, falou Adrian balançando a cabeça pensativamente. Está tudo tão lindo, limpo e organizado que é difícil pensar na cidade destruída.
 

Sim! Lemos e vimos documentários de como foi feita a reconstrução. Quase 80% de destruição. Além disto, a Guia nos informou que vieram pessoas de outras cidades para trabalhar em mutirão. Recebiam folga nos trabalhos e vinham ajudar nos finais de semana. Trocavam o dia de trabalho normal pelo dia de reconstrução, acrescentou Analía.
 

- Assim mesmo, é difícil de acreditar! Está tudo impecável! Viram os bancos nos passeios, com botões que ao serem apertados acionam uma música do Chopin? Increíble... balbuciou Nora mediante aprovação geral.
 

Brindamos a viagem! Brindamos ao nosso encontro, Brindamos a Varsóvia! Prometemos manter contato pelo zap zap!
 

Lembramos os cafés da manhã. Salmões, arenques e outros peixes, defumados ou não, servidos junto com salsichões, presuntos, ótimos pães e saladas... Deliciosos. E as vodcas! Todas excelentes.
 

Risada geral!!! A maioria não arriscou provar todos estes acepipes matinais...
 

Hora da conta! Karina e Adrián tinham que passar na estação ferroviária para reservar lugares no trem para a Cracóvia. Acompanhamos para uma possível ajuda.
 

Despedimo-nos de Rúben e Nora com quem viajaríamos para a linda Wroclaw e a surpreendente Praga. Decidiram voltar ao hotel caminhando. Pegamos o bondinho e descemos na estação. Não tivemos dificuldade para fazer a reserva. Funcionária bem eficiente e solícita.
 

Voltamos ao Hotel, onde oferecemos um chá de despedida, nos nossos aposentos, aos amigos Adrian e Karina!
Nome do chá: Dilmah! Tchau queridos...
 

Dia seguinte, partimos rumo à Praga, via Wroclaw - Região da Silésia! Linda cidade medieval, banhada pelo Rio Oder. Destaque para a praça do mercado. Surpreendente! Salsichões e carne de porco fizeram parte do cardápio em uma barraca de comidas típicas. Muita chuva durante uns quarenta minutos. Interessante que foi só passar a fronteira e nos encontramos na primeira montanha depois de uns dois mil quilômetros rodados!
 

Em Praga, onde chegamos tarde, os trâmites para obtermos os cartões de acesso aos apartamentos, foi muito burocrático e lento no Hotel Clarion Congress! O mais complicado de todos... Para não perder o bom espírito da viagem, boas cervejas e uma boa refeição no hotel.
 

Que cidade maravilhosa! Aí estivemos em 1991 e só tinha a praça do centro histórico reconstruída. A surpresa foi que por onde passamos, tudo estava impecável! Que diferença neste período. Voltamos ao castelo, praça da prefeitura, Ponte Carlos e Praça do Relógio. Fomos ao quarteirão judeu, passeio de barco e restaurantes frequentados por habitantes locais. Tomamos muita cerveja em diversos bares! Com o Rúben e Nora, passamos ótimos momentos. É mais barata que água mineral! Voltamos para o hotel de noite, onde nos despedimos! Eles seguiam outro rumo no dia seguinte.
 

Nós, como tínhamos uma noite adicional, mudamos para um hotel ainda melhor e mais central. Aproveitamos o dia para caminhar sem rumo e fazer pequenas comprinhas... Deixando a vida nos levar! À noite, perto do hotel, num quarteirão residencial, descobrimos um restaurante, bem... muito bom! Brindamos aos nossos 35 anos juntos! Lembramo-nos de quando nos conhecemos em Strasbourg – França. Bons tempos! Bons momentos!
 

Hora de voltar. O transferista nos buscou às 11:05 h do dia 13 de junho no Corinthia Prague. Vôo Praga – Zurique super tranquilo. Chegamos em Zurique às 15:00 h, trocamos Euros por Francos Suiços, guardamos as mochilas, pegamos um trem e fomos para o centro (10 a 12 min), para aproveitar o dia azul e com temperatura agradável, passando pelo centro antigo, onde conhecemos um jovem goiano que vive na cidade, e pela borda do lago. A estação ferroviária de Zurique HB é enorme e tem 44 plataformas de embarque. Os 50 Euros que trocamos foram suficientes para as passagens ida e volta, a guarda das mochilas e dois sanduíches simples... Embarcamos para São Paulo às 22:20 h.
 

Depois de um vôo espetacular, chegada em São Paulo às 05:30 h. Nunca tivemos tanta rapidez para os trâmites duaneiros. Entramos no duty free para Analía comprar maquiagens e algumas bebidas. As maquiagens foram esquecidas no carrinho... Lanchando no 1º andar do aeroporto, o primeiro susto: Um pedinte que abordou um turista e a nós, pedindo rispidamente cinco reais, seguido de outros pedintes... Caímos na real!
 

Acabou? Não. Viagem tranquila para Belo Horizonte com chegada ás 13:00 h. Orlando nos esperava para os últimos 46 km. Depois de visitar o mercado do Cruzeiro, exaustos, esperamos chegar 22 h, para dormirmos e tentar driblar o efeito do fuso horário...
Fim dos nossos serviços!!!


Obs.: Moedas: 05 câmbios. Rublos (Rússia); Euros (Estônia, Letônia e Lituânia); Slotz (Polônia); Coroa (Rep Tcheca) e Francos Suiços (Suiça).