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Conhecendo os Incas

 

por Osmar A Marques

 

 

 

 

(José Higino Pera Pascual, s/d s/n)

 

 

 

 

Peru (12 a 24 de setembro)

De acordo com um dos guias que nos acompanharam, quando os espanhóis desembarcaram no norte do Peru e ao perguntaram aos nativos o nome do local, a resposta foi VIRU – uma ave regional. Entenderam Peru e assim ficou...

Sonho antigo, postergado várias vezes, se concretizou... Repentinamente. Havia vários outros destinos em mente.

O objetivo principal: conhecer mais sobre os Incas.

 

- O Camaquen (força vital que anima tudo que existe na terra – seres vivos ou mortos, pedras, lagos e montanhas);

 

- o Império (que se estendeu do Equador até o Sul de Mendoza na Argentina);

 

-  a inteligência (aproveitaram a sabedoria e cultura de todos os povos que os antecederam);

 

-  a religião (politeísta com divindades locais, regionais e pan regionais);

o respeito ao meio ambiente (observaram e conservaram ao máximo);

 

- a preocupação com a produção agrícola (os terraços vistos em Machu Picchu, Písac e Moray serviam á ambientação de plantas à micro climas para posteriormente serem cultivadas em diversas regiões);

 

- a “Capital” – Cuzco;

 

- o “unificador” – Pachacutec

(Tahuantinsuyu - quatro regiões unidas =

Contisuyu (triângulo que vai de Cusco – centro, ao mar):

Chinchaysuyu (região costeira norte até o Equador);

Collasuyu (abrange parte Sul do Peru, partes da Bolívia, Argentina e Chile até Concepcion) e Antisuyu (Região Amazônica que vai da Bolívia até o sul da Colômbia).

Para conhecer um pouco deste mundo, partimos no dia 12 de setembro. De Belo Horizonte para Cusco, com escalas em São Paulo e Lima.

 

Dos 850 para cerca de 3.400 metros de altitude. A aclimatação foi feita com um pouco de repouso inicial, muitas folhas e chá de coca consumidos. Evitamos o “soroche” – mal das alturas, mas não os efeitos do tempo seco. A região é desértica, com calor durante o dia e frio à noite. Nariz congestionado e pequenos sangramentos foram uma constante. Assoar o nariz durante a madrugada foi uma necessidade durante quase todo o trajeto. O Hotel Royal Inka II, situado a menos de cem metros da Plaza de Armas.

13 de setembro: Durante o city tour, conhecemos:
 

• O Conjunto arquitetônico da Catedral de Cuzco (1560 a 1665) – construída sobre o Palácio do Inca Wiracocha com a Igreja da Sagrada Família e a Capela do Triunfo; situado na Praça de Armas (Huacaypata);
 

• Koricancha (1200 a 1300). Principal templo dos Incas para o Deus Sol, cujas paredes eram revestidas de folhas de ouro, posteriormente “adaptado” pelos espanhóis em 1534 na Igreja de São Domingos e Convento Dominicano. Destruídos no terremoto de 1650 e reconstruídos em 1681;
 

• Fortaleza cerimonial de Sacsayhuaman (significa falcão satisfeito ou cabeça do falcão). É a maior obra arquitetônica dos incas, construída por Pachacutec em 1400, com pedras de até 120 T.. Dedicado a veneração do Inti (Sol), Quilla (Lua), Chaska (Estrelas) e Illapa (Raio). No dia 24 de junho é realizado o Festival do Sol – Inti Raymi;
 

• Q’enko - labirinto (1400). Lugar sagrado. É uma Wuaca = templo para cultuar Múmias, mas também para cultuar o sol, lua e estrelas. Sacrificavam lhamas brancas em junho (gratidão pelas colheitas) e pretas em dezembro (início das chuvas);
 

• Puka Pukara = Fortaleza vermelha. Pode ter servido como Tambo = local de descanso;

14 de setembro:

O dia e a imaginação eram livres. Venceu a imaginação, contatamos um motorista de táxi – Roberto que nos levou aos seguintes lugares:
 

• Chinchero = simpática cidade à beira da estrada;
 

• Salinera de Maras. Chamada de Cachi Racay (Em Quéchua, Cachi = Sal). Impressionante. “Piscinas” formadas por uma fonte de água que sai da montanha formando uma visão impressionante. De acordo com Luis Figueroa Loaiza – Guarda de Turismo e guia que conhecemos no local, a extração de sal data de cerca dos anos 1200 (pré inca), é suficiente para abastecer somente a região e há cerca de 300 famílias que completam o sustento, trabalhando nas salineiras;
 

• Maras = pequeno povoado. Passagem obrigatória para Moray. Na volta, assistimos a um funeral. Fomos obrigados, porque o trajeto até o cemitério era pela estrada que foi interrompida nas 02 direções por cerca de 1 hora;
 

• Moray = espécie de centro agronômico Inca. É um conjunto de 04 “buracos” feitos entre as montanhas, sendo que cada um deles tem “terraços” onde sementes eram plantadas e verificados a temperatura e altitudes ideais para plantio nas diversas regiões. O “Buraco” principal consta de cerca de 30 “terraços” de três MS de altura cada;

Dia 15 de setembro: Dia de conhecer o Vale Sagrado.
 

• Tambomach’ay (1500). Cumpriu função religiosa e de regeneração da terra. Tem vínculo com Puka Pukara;
 

• Escola de Cerâmica de Corao (Erva): com um centro de artesanato;
 

• Awana Kancha = Centro de preservação e conservação de camelídeos (Alpacas, Guanacos, Lhamas e Vicunhas);
 

• Mirante de Taray (linda vista sobre o Vale do Urubamba (Vilcanota);
 

• Pisaq = perdiz em quéchua. (3445 MS) - Centro agrícola. Estima-se que viveram cerca de 3000 pessoas. “Cidade” dividida em diversos setores, separados por caminhos entre precipícios. Cemitério nas rochas.
o Qalla ccasa (passo das araras) – plantação de milho;
o Bairro do relógio solar;
 

• Calca = pequena cidade;
 

• Ollantataymbo (tambo = silo). Centro agronômico e silos.
o Banho da Rainha

Dia 16 de setembro: Finalmente em direção à Machu Pichu! Saída de Cusco em direção à Poroy (cidade à 20 km, que abriga a estação da Perurail. 3,30 hs de percurso margeando o Rio Urubamba até a cidade de Águas Calientes).

 

Sanduíche rápido, mas com particularidades: péssimo e com fato engraçado. A garçonete nos prometeu um desconto de 10%. Quando solicitamos a conta, notamos que havia o desconto, mas também uma taxa de serviço de 20%. Perguntamos o por que dos 20 % e ela respondeu rápida e seriamente que era um hábito do vilarejo. Pagava-se 10 % para cada garçonete da casa. Como na casa havia duas... E nos aconselhou a comer somente onde tivessem um garçom ou garçonete... Foi uma forma de ela recuperar os 10% do “desconto”... Rimos e pagamos pela comicidade do momento. A atriz mereceu...
 

o Machu Pichu (Montanha Velha): subimos com o guia Fischer e mais 02 paulistas que fizeram o “treking” Caminho dos Incas: Fernando e Paulo. Fischer nos apresentou a Cidade Sagrada dos Incas e tão sonhada por nós. Fez importantes e emotivos relatos e nos ensinou ritos e formas de homenagear os deuses. Falou da trilogia e cruz Inca (Condor = mundo dos deuses, Puma = nosso mundo e a Serpente = mundo dos mortos). À noite, já em Águas Calientes, o susto. Chuva... E receio! Hotel Presidente.

Dia 17 de setembro: Acordamos com chuva e o medo aumentou. Será que não retornaremos a Ma Chu Pichu? As 09:00 hs, a visão do primeiro raio solar. Sem perder tempo fomos para o ponto do ônibus. São vários micro ônibus que saem a cada 10 minutos ou tão logo que um ônibus fique lotado. A subida é feita por uma estrada de terra em caracol, que em alguns momentos margeia o precipício. Belíssimo! Mais interessante ainda é ver a quantidade de pessoas idosas que se aventuram. Alguns com bengalas, prontos para encararem a altitude de 2450 MS e os incontáveis degraus.
 

o Porta do Inca: cerca de 50 minutos de caminhada em caminho ascendente. Cerca de 1 km . O chá de coca tomado no café e as folhas ajudam muito. Era a porta de chegada para os caminhantes que vinham de Cusco;
o Ponte do Inca: 25 minutos de caminhada que levam a uma esplendorosa construção que ligava uma parte da montanha à outra. Os caminhos, às vezes de cerca de 60 cm de largura, à beira de precipícios com paisagens deslumbrantes. Depois, sentar, admirar, rever, pensar...
o Termas de Águas Calientes: deixei a opção do almoço com Analía e fui curtir piscinas geladíssimas e quentes, ao ar livre. Relaxante! Fato interessante é que antes de entrar na piscina quente, visitei uma ducha geladíssima e passei para uma pequena piscina de água tão gelada quanto à da ducha. Estava sentado, tranquilo quando dois jovens pularam dentro. Putain! Gritaram e saíram correndo. Estes franceses... Também saí rindo e fui relaxar na piscina quentinha... Depois, o reencontro com Anália, satisfeita pela bela refeição e retorno à Cusco. De trem. Conhecemos um grupo de São José do Rio Preto, que fez o caminho dos Incas.

Dia 18 de Setembro – Cedo, bem cedo! Mariella (uma simpática guia Cusquenha) veio nos buscar para seguirmos para Puno. Embarcamos num confortável ônibus.
Huarcapay (300 AC): laguna e posto de controle Inca (parece que já cobravam pedágio à época;
Andahuaylillas = povoado com a Capela São Pedro, construída em 1572 sobre templo Inca e considerada a Capela Sistina dos Andes;
Árvore Pisonay (idade de 400 anos);
Raqxi (cerâmica de cerca de 600 AC)
Templo Wiracocha = única com pedra vulcânica, “adobe” e colunas;
Colca = silos
Paso La Raya = descanso com bela paisagem;
Pukara (400 AC) – Cultura mais antiga. Visitamos Museu de Cerâmica e Igreja Jesuíta Século XVII – 1650;
Juliaca – nos lembrou muito a Índia...
Puno – Hotel Qelqatani, cujo nome homenageia grutas próximas, com inscrições. A 03 quarteirões da Plaza de Armas. Saímos, pois havia movimento de festa nas ruas. Aniversário de uma escola. As comemorações são feitas em forma de desfile, com os estudantes divididos por cursos e séries e vestidos com roupas típicas.

19 de setembro – Puno – Lago Titicaca. As emoções continuam. Uma surpresa a cada passo. Fomos até o porto, para navegarmos no lago navegável mais alto do mundo – 3800 MS;
Uros – ilhas flutuantes, feitas de uma palha – Totora, que nasce no Lago Titicaca. Os habitantes são de origem Aimará e a saudação amigável é Kamisaravi que tem como resposta Waliqi. Visitamos:
Isla Sumatopiru: onde tivemos explanação de como vivem, como é feita a ilha (base de raízes de totora – blocos de raízes, amarrados uns aos outros e o piso que é do seu capim seco. Fica com altura de até dois metros e meio e são ancoradas para a ilha não navegar. O lago tem cerca de dez metros de profundidade neste local. Ficamos imaginando a umidade para dormir. Vivem nesta ilha seis famílias – vinte pessoas, mas existem quarenta outras com cerca de dois milhabitantes no total. Vivem da pesca e do artesanato que comercializam com os turistas. Tem posto de saúde e escola Presbiteriana. Atualmente usam energia solar (pequena placa). Informaram que os dejetos são levados para terra firme... Interessante que durante a apresentação, Fomos para a Islã Del Capim Blanco em barco a remo, feito de totora.
Isla Taquile: é uma ilha mesmo. Regime socialista a mais de quatro mil metros de altitude. Muita dificuldade respiratória para subir até o seu topo. Haja degraus!!! Almoçamos trutas com batatas diversas, num lugar muito aprazível. Delícia. Garçom trajado com roupas típicas, que usam diariamente.

Dia 20 de Setembro:  Nossa guia Mariella (outra), mas tão simpática quanto à de Cusco, nos levou para conhecer Sillustani – Cemitério Inca. Chullpas (tumbas mortuárias) e local sagrado, sobre a Laguna Humayo. Fez um ritual de captação de energia no Templo do Sol, ao lado do Templo da Lua. Informou que há 02 datas importantes para captação de energia:
o 23 de junho = equinócio de inverno,
o 01 de Agosto = Ano novo Andino

À tarde, partimos para Arequipa. Viagem de cerca de 6 horas. Ônibus confortável com Rodo Moça e bebidas (chá de coca) e jantar servidos a bordo. Hotel Casa Andina em Arequipa (2ª cidade do Peru, com cerca de 1,2 milhão de habitantes).

21 de Setembro – Arequipa – Chivay (que é uma das cidades do Vale do Colca). Iniciamos a viagem (três horas e meia) com receio, pois chegaríamos à quase cinco mil metros de altitude. Precisamente 4910 metros, no Paso Pata Pampai. Vigiando-nos durante longo tempo, o Tamay – imponente vulcão, assim como o Warancanchi (> 5 mil metros) e o Chukura.. Antes de chegarmos ao Ponto mais alto da Cordilheira Chilamonte – Pata Pampai, passamos por Bofedales – áreas com água, com inúmeros pássaros e onde os camelídeos também saciam a sede. Apachetas (manifestação religiosa de pedras empilhadas, em diversos pontos do caminho. Lembrando Nepal). Povos habitantes da região: Cabanas e Coyauas. Colca (que dá nome ao Vale, Rio e Cânion), significa Silo. Almoçamos no Zacarias, deliciosas comidas típicas. As melhores. Conhecemos Ozumi – japonês que fala muito mal inglês e espanhol, mas nos entendemos bem. Enchi o cara de folhas de coca e depois todos o chamavam de Compañero de Coca... hahaha. Hotel Casa Andina.

22 de Setembro – Chivay até o Cânion do Colca:
Maca – pequena localidade, casas de adobe, onde assistimos à crianças dançando na Praça principal e habitantes com lhamas e águias para serem fotografadas. Igreja foi destruída no terremoto de 1991. Depois, mais caminho de terra, precipícios, paisagem com seus terraços deslumbrantes e...
Cânion de Colca – Tem começo na cidade de Madrigal. Mais alto do mundo. Tivemos o privilégio de ver seis ou sete condores ao sabor dos ventos.
Novamente comemos no Zacarias. Cuy – porquinho da índia, alpaca, batatas, milhos e especiarias desconhecidas. Saborosíssimo. À tarde, retornamos à Arequipa – cidade construída com pedras brancas. A Plaza de Armas é maravilhosa, com uma Catedral imponente e de cada lado, edifícios com arcadas.

23 de Setembro – Cedo nos transferimos ao aeroporto com destino a Lima, pela LANPERU (disfarce da LanChile...). Vôo normal e chegamos a Lima (9,2 milhão de habitantes), um sistema de transporte coletivo caótico, trânsito maluco e engarrafamentos. Fomos direto para o Hotel Monte Real – Bairro Miraflores. Bem perto das falésias que observam o Pacífico. Em seguida caminhamos pelo alto das falésias e nos dirigimos ao interessante Shopping de Larcomar. Almoço e retorno ao hotel. À tarde, city tour:
o Estátua do Amor – Victor Delfim – Parque em Miraflores. Vista sobre o Pacífico;
o Huallamarca (Marca = lugar e Hualla = povo): adoratório e cemitério (200 AC a 200 DC. Há múmia do ano 900 DC do povo Ichma (900 a 1200 DC) – Distrito de San Isidro;
- Plaza San Martin – Distrito de Linz;
- Plaza Mayor – Centro:
- Catedral (destruída no terremoto de 1746 e reconstruída entre 1748 e 1898;
- Túmulo de Francisco Pizarro (Fundador de Lima);
- Fonte: 1650;
- Conjunto São Francisco: Igreja, Biblioteca, Monastério (Sec XVII e XVIII), Catacumbas
- Morro São Cristovão: Favelas com casas coloridas;
- Congresso

À noite, jantar no hotel. Peixe e risoto de frutos do mar. Vinho Peruano. Tacama. Tudo muito gostoso.

24 de setembro – Lima – São Paulo – Belo Horizonte... Viagem tranqüila. Diferença de duas horas a mais em São Paulo.

Conclusão:

 

Sonho vivido. Muito melhor do que pensávamos.

Suportamos bem as alturas, o clima seco de deserto, as diferenças de temperaturas entre dia e noite. Aproveitamos tudo. Paisagens, história, cultura e alimentação.

 

As sopas de quínua são excelentes. Interação ótima com os Peruanos. Folhas e chá de coca, milagrosos. O mate é um descongestionante nasal formidável e nunca nos deixou cansados. Prometemos nos aprofundar mais nos conhecimentos sobre este povo maravilhoso: Incas. Aliás, Inca é a denominação apenas para o Imperador. Hasta la vista!!!



Osmar A Marques