voltar para a página-site da escritora Meire Yamaguchi

 

(Marc Chagall, 1956, Davi e Betsába)

 

 

Mas, até os sete anos de idade, vivencia-se o mundo principalmente pelo hemisfério direito, onde tudo foi arquivado emocionalmente.

 

.

 

 

 

O corpo memoriza em suas células todas as impressões que sentiu.

 

.

 

Toda doença física, seja ela um câncer, alergia ou mesmo um acidente é, em parte, uma expressão da memória celular

 

Nada se Perde. Tudo Está em Você.
(trecho do Livro GPS Espiritual)

por Meire Yamaguchi

 


O termo "inconsciente" foi elaborado primeiramente por Freud, que via nele a sede dos impulsos sexuais. Para ele, o inconsciente era estático e formado pelos conteúdos refutados pelo consciente.

 

Isso difere da visão de Jung que via isso como uma estrutura em parte herdada (inconsciente coletivo) e em parte criada pela associação entre seu conteúdo e o consciente. Ele serve como um grande arquivo, com uma organização particular, que ativa automaticamente certas informações necessárias, de acordo com a situação. Quanto mais vezes as ligações entre as informações forem ativadas, tanto mais fortes e rápidas elas se reativam, podendo se tornar automáticas.

 

A linguagem verbal desenvolvida no hemisfério esquerdo toma posse dessa organização e quase todas as memórias resgatadas de forma consciente são feitas através das palavras.

 

Mas, até os sete anos de idade, vivencia-se o mundo principalmente pelo hemisfério direito, onde tudo foi arquivado emocionalmente.

 

Muitas vezes você não consegue entender suas reações porque foram arquivadas pela emoção e não com palavras que possam explicar o porquê está agindo dessa forma. Poder Colocar palavras nas vivências é a base da terapia psicológica, mas esse trabalho pode se deparar com a dificuldade de acessar vivências que foram registradas com emoções e sensações.

 

A utilização de técnicas corporais ou a psicologia energética é uma grande ajuda para poder acessar e modificar tais programações. Com certas técnicas, como a da hipnose, é possível você relembrar acontecimentos há muito esquecidos ou situações ocorridas quando teoricamente você não teria os mecanismos cognitivos formados, como na sua própria gestação. Essa mesma técnica pode fazer você se lembrar de uma página inteira de um livro lido quando você tinha sete anos, ou todo o diálogo de um filme sem importância que viu há dez anos.

 

Isso prova como nada é perdido, apenas o acesso consciente.

 

Através do seu inconsciente pessoal, você já possui um banco de dados muito amplo. Quanto mais conhecimentos você possuir e for capaz de organizar pelo aprendizado, tanto mais fácil será o acesso e a utilização deles.
 

 

MEMÓRIA CELULAR O francês Bernard Montaud (Montaud, 1998), no admirável livro L'Accompagnement de la Naissance (n.d.A: O Acompanhamento do Nascimento - não publicado em português) relata como todo o processo de gestação e nascimento ficam gravados no corpo e podem ser acessados com exercícios corporais específicos.

 

O processo do nascimento condicionaria nossa maneira de reagir e de pensar. Se suas experiências em alguma fase do nascimento (Montaud nos apresenta sete) for de retenção, isso poderá condicionar um modo mais reprimido de agir e seus pensamentos serão mais refratários à impulsividade, por exemplo.

 

O corpo memoriza em suas células todas as impressões que sentiu.

 

Essas tanto podem ser provenientes de descargas hormonais devido a emoções que provocam choques nos órgãos, os quais então liberam quantidades importantes de secreções (por exemplo, medo que provoca acidez estomacal), como podem ser criadas pela dor física ou qualquer experiência que tenha sido feita através do corpo: como o nascimento, as experiências sexuais, experiência ligada à postura (por exemplo: ter que abaixar a cabeça, mesmo contra sua vontade, frente a uma autoridade ou postura de proteção frente ao ataque físico), todos os tipos de contato físico (gesto de carinho, abraço, dança, prática esportiva, contato com objetos ou animais, violência física etc.).

Sem esquecer as impressões provenientes dos sentidos, como odores, gostos, sons e todas as imagens que ficam armazenados no corpo de forma ainda não completamente compreendida pela ciência.

 

Uma pista de como é possível esse armazenamento de memórias no corpo são Os estudos sobre as proteínas epigenéticas (periféricas) que, mesmo não fazendo parte do ADN, o material genético presente no núcleo de cada célula, influenciam a expressão desse.

 

O Dr. Wolf Reik (Reik) -- e sua equipe--  é um de pioneiros desse tipo de estudo que, usando várias técnicas, mostrou que sob ação de um grande estresse, camundongos de laboratório fabricavam moléculas que causam, entre outros, a metalização de proteínas do ADN, modificando sua expressão. Em certos casos, essas metalizações, criadas em ratos expostos a uma situação traumática de separação perinatal, eram transmissíveis às gerações subsequentes, como foi demonstrado pelo recente estudo feito por uma equipe da Universidade de Zurique (Weiss, et al., 2010).

 

Acredito que no futuro a efetividade de uma terapia psicológica ou energética poderá ser medida pela sua capacidade em diminuir, ou mesmo eliminar, as metalizações no ADN causadas por um trauma.

 

O corpo fala pelas reações, às vezes incontroláveis, de pânico, tensão, explosões de raiva e tantos outros sinais que não partem da mente, mas do físico. Toda doença física, seja ela um câncer, alergia ou mesmo um acidente é, em parte, uma expressão da memória celular. Aprender a acessar essa linguagem através do seu GPS Espiritual permite que seu corpo não necessite mais sofrer para chamar sua atenção, mas passe a ser um verdadeiro parceiro no seu crescimento interior. No final deste livro eu explico como utilizo o GPS Espiritual no processo de uma doença.