Saiba Mais sobre os Antidepressivos.

por Prof. Dr. Kalil Duailibi

 Jorge Laranjeira, Medicina e Humanidade

Foi apenas no final da década de 1940 que apareceram os primeiros medicamentos com a finalidade específica de tratar transtornos psiquiátricos. O lítio, por exemplo, cujo primeiro relato é de 1949, usado para tratamento da mania por Cade.

Em 1952 Delay e Deniker descreveram os efeitos antipsicóticos da clorprolazina e os primeiros ansiolíticos aparecem respectivamente em 1954 (meprobamato) e 1957 (clordiazepóxido). Daí para frente, uma ampla gama de benzodiazepínicos foi surgindo.

Mas a origem dos antidepressivos inibidores de monoaminoxidase (IMAO) é uma história interessante: pesquisadores observaram que a iproniazida, droga usada no tratamento da tuberculose, fazia com que os pacientes tivessem uma elevação de humor e de euforia. Entre 1856 e 1958, Crabe e Kline conduziram estudos que introduziam a iproniazida no tratamento de pacientes internados com depressão.  Quase simultaneamente à introdução dos IMAO, a pesquisa de novos compostos anti-histamínicos conduziu ao aparecimento da imipramina (1958), que foi o primeiro de uma série de antidepressivos tricíclicos.

 

Assim, até o final da década de 1950 já haviam sido descobertos cinco grupos de drogas capazes de promover efeitos clínicos em transtornos psiquiátricos: antipsicóticos (clorpromazina, haloperidol), antidepressivos tricíclicos (imipramina), antidepressivos IMAO (iproniazida), ansiolíticos (meprobamato e clordiazepóxido) e antimania (lítio). Após mais de 40 anos da introdução desses agentes terapêuticos originais, como poderiam ser medidos os avanços na psicofarmacologia?

Em termos de impacto, pode-se dizer que a introdução dos psicofármacos foi marcante e seu uso disseminou-se amplamente. Uma conseqüência quantificável e bastante impressionante foi a inversão da tendência de crescimento das curvas de freqüência de admissão hospitalar e ocupação de leitos, reduzindo a internação e o tempo de permanência de pacientes psiquiátricos. Assim, o número de pacientes psicóticos hospitalizados nos EUA diminuiu de 554.000 em 1954 para 77.000 em 1993, quase 40 anos depois.3

Em termos de número de drogas disponíveis, houve uma considerável ampliação do arsenal terapêutico, tanto com a expansão do número de compostos dentro do mesmo grupo farmacológico, como com o surgimento de drogas com perfil de ação diferente das originais. Já quanto à eficácia, parece que os compostos mais recentes muito pouco acrescentaram aos originais, embora há de se reconhecer que muitos deles são realmente mais seletivos, levando à maior tolerabilidade e aderência ao tratamento.

Desde a introdução dos psicofármacos, tenta-se elucidar o mecanismo de ação dessas drogas, como também introduzir novos agentes com maior seletividade e menor latência de ação, toxicidade e efeitos colaterais, além de utilizá-los como instrumentos na geração de hipóteses biológicas sobre a fisiopatologia dos transtornos mentais.

 

Antidepressivos

 

São utilizados em outras situações, além da Depressão Maior, e Distimia. São medicações utilizadas também nos seguintes quadros clínicos:

Narcolepsia,

Transtorno de Défict de Atenção e Hiperatividade  (TDAH) ,

Úlcera,

Dor,

Sonambulismo,

Episódio depressivo do transtorno de humor bipolar,

Agressividade no autismo,

Enurese,

Transtorno de ansiedade generalizada (tag),

Transtorno obsessivo compulsivo   (toc) ,

Anorexia, bulimia,

Ansiedade de separação,

Terror noturno,

Transtorno de stress pós-traumático  (tept) ,

Transtorno do movimento e compulsivo no autismo,

Ejaculação precoce e

Transtorno disfórico pré-menstrual (tpm).

 

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O FUTURO: A próxima etapa da pesquisa com drogas de ação central passa pelo grande desafio do entendimento mais profundo sobre a anatomia e fisiologia do SNC, bem como sobre os processos psicopatológicos.

Espera-se que a incorporação dessas técnicas sofisticadas, como as moleculares, o uso de marcadores genéticos e as técnicas de imagem, traga avanços significativos que permitam o desenvolvimento de novas moléculas terapêuticas específicas para regular as alterações subjacentes aos transtornos psiquiátricos.

Sem dúvida, a aplicação dessas novas técnicas resultou em uma explosão da informação no campo da psicofarmacologia, que pode ser observada pelo crescimento exponencial de publicações de trabalhos originais na área.

Entretanto, o progresso da psicofarmacologia só estará efetivamente consolidado se o planejamento estritamente racional de novas drogas levar ao real desenvolvimento de compostos com alta capacidade de prevenir e tratar eficazmente os transtornos mentais.