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“Depressão? Ah, isso passa...”... Mas será que passa mesmo?
por Prof. Dr. Kalil Duailibi

É bem difícil, para a nossa sociedade, entender que a depressão é uma doença orgânica e não de comportamento.

 

Alberto Sughi, 1950, Retrato de Mulher

 

Apesar da muita divulgação pela mídia, e até nas redes sociais, da doença Depressão, ainda existe quem acredite que quem está sofrendo com os sintomas da doença está apenas num “estado de espírito” que vai passar.
 

Depressão está muito longe de ser algo "que passa".
 

O que passa é a tristeza, é o chamado período "de luto", como consequência de uma perda importante na vida da pessoa ou uma decepção muito grande, ou de uma frustração no trabalho.
Se essa tristeza não passar em 3 ou 4 meses é porque se transformou na doença depressão. Então, o acontecimento triste da vida da pessoa abriu o caminho para que a tendência genética à depressão acabasse se manifestando. Esta vulnerabilidade genética leva a tristeza a se "cronificar" e a se manisfestar como depressão doença, que precisaria de um tratamento especializado.
 

Um estado emocional passa. A depressão não tratada permanece, vai se agravando e pode culminar num final muito infeliz: o suicídio.

 

Por isso é preciso que familiares e amigos de pacientes deprimidos estejam atentos para ajudar a pessoa a procurar ajuda profissional. Assim como outras doenças crônicas, por exemplo, o diabetes e a hipertensão, a depressão pode exigir a tomada de medicamentos para o resto da vida, mas isto é a exceção.

 

Para a maioria das pessoas, a medicação (que só começa a a agir em cerca de 3 semanas) pode causar a remissão da doença e o médico pode, então, suspender a medicação em poucos meses. No entanto, existe sempre a possibilidade da ocorrência de um novo episódio depressivo. Então julgamos muito importante a atenção da família, ou daqueles que convivem com uma pessoa que está em depressão, para levar essa pessoa à conscientização de que ela precisa  de tratamento.O melhor caminho para se falar sobre qualquer assunto, em nossa maneira de ver, é sempre a forma clara, franca e direta. O preconceito, com relação à depressão, existe ainda muito forte e não é maior ou menor em mulheres ou em homens.

 

A depressão, que é uma doença neuroquímica cerebral, ainda sofre os antigos preconceitos da "doença mental". É bem difícil, para a nossa sociedade, entender que a depressão é uma doença orgânica e não de comportamento. Afeta o comportamento, é claro, mas independe de fatores como "força de vontade" ou personalidade fraca ou forte. A depressão é como o diabetes. No diabetes o pâncreas não produz insulina suficiente para o funcionamento harmonioso do organismo. Na depressão é o cérebro que está "carente" da produção e do trânsito de neurotransmissores impedindo seu funcionamento ideal. Da mesma maneira que os medicamentos para d diabetes "consertam" o pâncreas, os antidepressivos "consertariam" o cérebro.