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Síndrome do Pânico

por Prof.Dr.Kalil Duailibi

Louise D'Aussy, Canção de Amor, 1944

 

O deus do medo, na Mitologia Grega

Completamente apaixonado pela música, Pan mora nas cavernas, caminha pelas montanhas  e caça por diversão.

Mas é o terror dos que viajam à noite pelos campos.

É horrível de feio: tem patas de bode, um cavanhaque pontiagudo, corpo peludo e chifres, é o patrono dos sátiros.

Seus chifres simbolizam os raios de sol e, como todos os sátiros, ele é alegre. Mas tem o seu lado sombrio, significa a loucura primordial.

Hermes, o pai dele, se transformou numa tartaruga para seduzir a ninfa Dríope, sua mãe.

Já Pan, cobriu-se com a pele de uma ovelha para conquistar Selene e levou para sua amada, de presente, um rebanho de bois brancos.

 

 

No tratamento médico dos distúrbios do pânico a  meta inicial  consiste em utilizar medicação que bloqueie os ataques de pânico espontâneos

O nome pânico deriva do deus grego Pan, fruto de um casamento indesejado condenado por Zeus. Tendo Pan, como castigo, uma fisionomia muito feia e indo viver nas florestas.

As pessoas que transitavam , naquela época nestas florestas tinham ataques de medo, eram encontradas estarrecidas e aterrorizadas, sendo atribuído tal quadro ao aparecimento, ou principalmente, aos uivos de pan.

Pan  também está relacionado ao regimento da sexualidade, da masturbação e do desconhecido, por isso o diabo é representado pela igreja católica como pan.

Pan morre com o advento do cristianismo, apesar de muitos acreditarem que  esteja apenas adormecido, e que pode despertar toda vez que a Natureza e o instinto entrarem em questão.

 O QUE É, COMO SE MANIFESTA a Síndrome do Pânico

 A característica essencial do Transtorno de Pânico é a presença de Ataques de Pânico recorrentes e inesperados, gerando uma ansiedade e angústia  intensas, que duram por volta de uma  hora, sendo sua maior intensidade nos primeiros quinze minutos. Seguidos por pelo menos um mês de preocupação persistente, terror e medo de ter outro ataque de pânico (ansiedade antecipatória); ou mesmo uma alteração comportamental no sentido de evitar os locais, ou mesmo atitudes que desencadearam o ataque .  ( esquiva fóbica).

  Um ataque de pânico é representado por um período distinto o qual há o início súbito de intensa apreensão, temor ou terror, freqüentemente associados com sentimentos de catástrofes iminentes, durante esses ataques, estão presentes sintomas tais como: falta de ar, palpitações, dor torácica, sudorese, vertigens, desrrealizacão, sensação iminente de morte, medo de perder o controle ou de enlouquecer e sintomas gastro-intestinais.

Onde o sofrimento psicológico e  físico é muito grande já que há uma confrontação da pessoa com o nada, relata  Maldonato, uma experiência  que provém do núcleo mais profundo da pessoa, a consciência é totalmente excluída, atingindo ricos e pobres, intelectuais e incultos. Segundo Heidegger, o pânico expressa a ligação profunda do homem com o Nada. 

 Não é uma doença nova, como se era anunciado, inventada só para vender remédios, no século XVII, o inglês Robert Burton, apresenta um tratado sobre melancolia  descrevendo clinicamente um quadro de crise aguda de angústia, que denominou  “medo”.

Na metade do século XIX, inicia as descrições mais precisas, com  Brissaud na Franca com o seu artigo sobre ansiedade paroxística, sendo os sintomas psicológicos preponderantes sobre os físicos.

Na guerra civil americana surge um médico espanhol, Jacob Da Costa,  que descreve a síndrome do coracão irritável entre os soldados os quais era responsável. Alguns anos após Da Costa,  Osler descreve a síndrome do coração irritável na população civil.

O artigo de Beard em 1867,  neurastenia,  motiva Freud a escrever sobre a neurose de angústia.     

 Krishaber (1873), um cardiologista,  descreveu 38 casos do que ele chamou de neurose cérebro-cardíaca, sendo a causa da crise, segundo ele a instabilidade vascular. Chamava a atenção serem casos com sintomas e sensações de ansiedade como, cabeça oca ou zonza, vertigens, palpitações, tremores, sintomas digestivos, intolerância a luz e a ruídos e dificuldade de concentração, todos de caráter repetitivo.

 Outro médico, um otorrinolaringologista chamado Leroux , relatou o quadro de vertigo, em 1889, no qual os pacientes apresentavam crises súbitas, onde os sintomas corporais antecediam os psicológicos, tais como: sensações incontroláveis de ansiedade precordial e epigástrica, sensação de colapso ou desmaio iminente,  pernas bambas ou fracas, onde o chão perde a estabilidade, parecendo afundar e as percepções tornam-se confusas. A angústia ( palidez, tremores, dispnéia, sudorese fria ) era o principal sintoma ; o individuo não conseguia raciocinar,  mesmo sabendo que o perigo não era real, mas não conseguia controlar suas preocupações. Essas descrições são semelhantes aos relatos de pacientes portadores de Transtorno do Pânico na  atualidade.

PREVALÊNCIA

A prevalência é de 3,5 a 3, 8% da população ao longo da vida  e  50% desses casos terão depressão ao longo da doença.

A proporção de mulheres  acometidas é o dobro da de homens .

FISIOPATOLOGIA

A fisiopatologia até 1960 era  explicada  pelas teorias psicanalíticas de ansiedade e angústia; na década de 1960 houve uma mudança e separação dessas teorias,  para teorias fisiopatológicas galgadas em mecanismo de ação das drogas recém-descobertas, como os tricíclicos e os inibidores da enzima monoaninaoxidase.

Outras respostas eram dadas pela: hiperatividade ou disfunção de sistemas ligados aos neurotransmissores cerebrais envolvidos na atividade alerta, reação e defesa do SNC; alteração na sensibilidade do SNC a mudança de pH e a concentração de CO2 intracerebral e/ou  hipersensibilidade de receptores pós-sinápticos de 5-HT envolvidos no sistema aversivo; fatores genéticos como: gêmeos monozigóticos (24%) maior predisposição, que os dizigóticos (15%) também eram utilizadas.

Davidson e col. (1993) realizaram espectroscopia por ressonância magnética, onde foi observado uma  associação de  diminuição de  energia,  diminuição da  função da membrana e atividade neuronal mais baixa em regiões corticais, talâmicas e no núcleo da base; foram encontrados também diminuição da  razão de  N-acetil-aspartato/ N-acetil-creatina, sugerindo uma diminuição do número de neurônio e da atividade neuronal,  nos  pacientes portadores de Transtorno do Pânico.

 Hoje acredita-se que há envolvimento do núcleo ceruleus, que desencadeia o quadro do pânico pela proximidade com a ponte ( ataque de pânico) e com as regiões frontais (ansiedade antecipatória e esquiva fóbica).   

TRATAMENTO

No tratamento médico dos distúrbios do pânico a  meta inicial  consiste em utilizar medicação que bloqueie os ataques de pânico espontâneos, sendo usadas drogas da classe dos benzodiazepínicos,a mais utilizada e o alprazolan que é uma droga de ação rápida e de meia vida curta, sendo bem manipulada com melhor confiabilidade pelos psiquiatras.

Para o tratamento crônico do transtorno de  pânico são usadas as drogas que agem nas aminas  cerebrais como os antidepressivos tricíclicos, os inibidores  seletivos de da serotonina e menos utilizados, os inibidores da MAO.

É uma doença  de curso crônico e flutuante  no qual a remissão parcial, não deve ser encarada pelo médico como  cura, pois viver no sub-limiar da doença e tão prejudicial ao paciente quanto a doença instalada , pela própria exposição crônica a níveis aumentados de adrenalina, tendo conseqüências em sistema cardiovascular entre outros, e principalmente no psicológico do individuo, que pela discussão filosófica, e a exposição do indivíduo constantemente com o Nada 

Em uma etapa posterior, os pacientes são encorajados a se defrontarem novamente com situações fóbicas que os auxiliará a reagir de maneira diferente  nas  situações  de  evitação ( terapia cognitiva comportamental).

O meio farmacológico utilizado para controlar a ataque de pânico não deverá afetar a capacidade de auto-controle  do paciente, nem  a de controlar o meio que o rodeia.