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Ansiedade, a Irmã da Depressão

por Dr. Kalil Duailibi

 

“Eu vivi uma vida terrível,

a maior parte da qual jamais aconteceu”.Mark Twain 

 

JW Waterhouse, Tempestade, 1916

Imagine o Johnny Deep, como o Pirata do Caribe, no momento de enfrentar o seu mais valente inimigo.  Se a situação fosse de verdade o corpo dele reagiria passando por uma série de transformações químicas: aconteceria um disparo de adrenalina e o consequente aumento de corticoesteróides causaria:

- dilatação das pupilas;

- taquicardia (o coração dispara);

- aumento da sensibilidade;

- aumento da pressão arterial.

A natureza não é boba. Esta é a reação que temos diante do perigo ou do inimigo, nosso corpo reage nos preparando para a fuga ou para a luta.

Agora imagine que, sem inimigo, sem ataque, sem motivo aparente, aconteça tudo isso no corpo de uma pessoa.  Os médicos então diriam que isso está acontecendo porque houve uma “cronificação” do estado de ansiedade. Ou seja, a manifestação da ansiedade ocorre mesmo sem motivo.

O que a Medicina chama de Transtornos Ansiosos englobam a chamada Síndrome do Pânico, a Agorafobia, as Fobias Sociais e outras fobias específicas e a Ansiedade. Ainda se discute se poderiam se encaixar nesse grupo o Transtorno Obsessivo Compulsivo e o Stress Pós Traumático. Todos são parentes da nossa famosa Depressão.

Na maioria das vezes, como já dissemos que acontece com a depressão, qualquer um desses “parentes” é a verdadeira causa dos sintomas físicos de muita gente.  Dor nas costas e dor de cabeça são os mais comuns. Mas quando alguém vive se queixando de múltiplos sintomas de múltiplas doenças dá para desconfiar da ansiedade.

É muito natural que o ser humano fique ansioso diante das dificuldades e desafios da vida.

O que não é normal é que essa ansiedade exista onde não há nem dificuldade nem desafio. Quem vive tenso, nervoso, inseguro, apreensivo, com uma sensação de estranheza, provavelmente está sofrendo de ansiedade.

Uma predisposição genética e mais eventos muito traumáticos podem estar na raiz da cronificação da ansiedade.

Nas crianças, as situações estressantes podem determinar a formação de adultos ansiosos com transformações orgânicas, inclusive.

O mundo é estressante.

Muita gente gosta de dizer que “o mundo de hoje” é estressante; mas, se olharmos cuidadosamente para toda a história passada do ser humano sobre a terra, vamos concluir que viver é estressante.

É claro que ninguém precisa de ajuda médica e psicológica para simplesmente viver.

Mas quando os sintomas dos momentos difíceis passam a fazer parte do cotidiano, aí sim é hora de procurar o médico.