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Conheça a tocofobia ou fobia do parto
 

 

por Prof. Dr. Joel Rennó Jr.

Frida Khalo, Hospital

 

A tocofobia secundária pode ter sido provocada por uma situação de aborto espontâneo ou parto prematuro, doenças clínicas graves da gestação (diabetes ou eclâmpsia) ou um parto anterior muito doloroso ou traumático devido à péssima assistência obstétrica ainda presente em muitos hospitais públicos do Brasil.
 


O medo do parto, principalmente a partir do segundo trimestre, é relativamente comum nas mulheres; não é para se culpar ou se assustar a princípio. Mas há mulheres também que possuem um medo que se transforma em terror, uma fobia do parto, a conhecida tocofobia. É comum que essas mulheres com tocofobia arrumem desculpas até para não engravidar a ponto de inventar algo do tipo “sou estéril”. Quando começam a presenciar amigas da infância e irmãs grávidas sentem-se inferiorizadas, com baixa autoestima ou culpadas e podem ter quadros depressivos.

Segundo a psiquiatra inglesa Kristina Hofberg – pesquisadora de renome especializada na área – uma em cada seis mulheres sofre de tocofobia. Um dos principais sintomas de uma mulher que sofre desse tipo de fobia, é que não pode sequer ouvir falar no parto ou até na gravidez. Ao pensar no parto pode sofrer crises de pânico, sentir náuseas ou vomitar, chorar, ficar agitada ou gritar. Muitas vezes as pacientes entram em estados depressivos porque se culpam a si próprias dessa fobia.

Com relação à origem da tocofobia, essa pode ser classificada como primária ou secundária. A tocofobia primária pode iniciar-se na fase da adolescência. Pode desencadear-se porque a adolescente observou uma situação traumática num parto familiar (ou a familia tratou o tema sempre de forma assustadora ou traumática), ter visto um filme que descrevia um parto ou devido até a um abuso sexual.
Muitas mulheres sentem-se frágeis e inseguras também para lidar com o bebê e questionam suas reais capacidades para ser mãe. Muitas grávidas tendem a se comparar com suas mães e projetam nessa comparação uma inferioridade na suas reais capacidades de futuras cuidadoras, um novo papel que desponta na gravidez. Há executivas que viajam muito e trabalham muitas horas semanais que temem não dar conta do recado no papel duplo de mães presentes e atuantes, além de profissionais brilhantes. As mulheres nos dias atuais, cobram-se muito para serem perfeitas na familia (como educadoras dos filhos), no trabalho e também nas tarefas domésticas. Mas, como o dia tem apenas 24 horas e 8 horas dessas devem ser dedicadas ao sono, algumas mulheres temem em ser omissas a ponto de suas eventuais incompetências poderem interferir na qualidade do desenvolvimento futuro da criança.

Portanto, há inúmeros fatores diferentes que podem causar um medo de engravidar. O grau de medo da maioria das grávidas é limitado e considerado normal.

Algumas realmente podem ter quadros mais severos que chegam à tocofobia e isso precisa ser tratado através de uma psicoterapia séria e competente. Em algumas mulheres com transtornos ansiosos e depressivos diagnosticados pelo psiquiatra, pode ser necessária também a intervenção medicamentosa mesmo durante a gestação.