voltar para a página do doutor

 

Depressão e Climatério

por Prof. Dr. Joel Rennó Jr.

Alberto Sughi, Le Due Eta

 

Estou com 45 anos, sou casada e tenho duas filhas. Sinto muito desânimo, muito cansaço, fadiga constante e tristeza relacionada com sentimento de perda.

Vejo me às vezes sem vontade de nada e engordando muito. Será que isso tem haver com o climatério?

Já pensei em tomar passiflora. Já tomei fluoxetina há um tempo atrás, mas acho que depois acabei engordando mais por conta da ansiedade,  bem desanimada. Nem para academia, que é dentro do meu trabalho, tenho vontade de ir.

O que o senhor me aconselharia? 

 

Há um grande trabalho da Universidade de Harvard (EUA), demonstrando que o período da perimenopausa aumenta o risco de depressão nas mulheres em duas vezes, independente do histórico anterior. Quando a mulher tem sintomas físicos incapacitantes, esse risco é ainda maior.

 

 

É importante uma completa avaliação ginecológica e clínica antes de tudo, porque algumas doenças como hipotireoidismo (disfunção da glândula tireoide) podem estar presentes e contribuir com sintomas físicos como tristeza, cansaço, aumento de peso e até depressão.

 

O climatério inicia-se por volta dos 41 anos e estende-se até os 65 anos. Por volta dos 45 anos, em média, inicia-se o período que denominamos de perimenopausa.

A perimenopausa dura até um ano após a menopausa, que no Brasil ocorre em média por volta dos 51 anos de idade.

A perimenopausa é caracterizada por flutuações hormonais erráticas e por sintomas físicos (ondas de calor ou fogachos, dores nas articulações ou musculares, entre outros) e sintomas psíquicos (humor depressivo, ansiedade, irritabilidade, alterações do sono, etc).

Há um grande trabalho da Universidade de Harvard (EUA), demonstrando que o período da perimenopausa aumenta o risco de depressão nas mulheres em duas vezes, independente do histórico anterior. Quando a mulher tem sintomas físicos incapacitantes, esse risco é ainda maior. Os fogachos (“ondas de calor”) costumam aumentar também a chance de depressão assim como a insônia.

É importante uma completa avaliação ginecológica e clínica antes de tudo, porque algumas doenças como hipotireoidismo (disfunção da glândula tireoide) podem estar presentes e contribuir com sintomas físicos como tristeza, cansaço, aumento de peso e até depressão.

Uma vez que os exames clínicos estejam normais, vale a pena procurar um psiquiatra. Nesse período de vida da mulher não é todo antidepressivo que pode ser utilizado e isso deve ser orientado por um psiquiatra competente. Alguns antidepressivos podem aumentar o peso e diminuir a libido – daí a importância do medicamento mais adequado para cada mulher.

Mudanças psicossociais coincidentes com essa fase de vida da mulher também podem, sem dúvida, contribuir para os quadros depressivos e ansiosos. Entre os fatores implicados, podemos ter aposentadoria, conflitos conjugais, alterações da sexualidade, morte de entes queridos, saída dos filhos de casa, entre outros.

É importante, portanto, além da medicação (em caso de confirmação de um transtorno depressivo maior) uma abordagem psicoterápica a fim de ressignificar as experiências de vida, mudar hábitos de vida, etc…

Como tudo em nossas vidas, as transições pelas quais passamos sempre abalam as nossas “estruturas”. Mas, nunca é tarde para adquirirmos novas formas de pensar sobre o mundo e relacionamentos, nunca é tarde para mudarmos hábitos e comportamentos inadequados para os novos períodos de vida pelos quais passamos.