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O Desespero para Emagrecer

por Prof. Dr. Joel Rennó Jr.

  

"Não há fórmulas mágicas como alguns marqueteiros apregoam.

A farmacologia da obesidade ainda é muito limitada, com poucas opções."

Domergue 1920 década

 

ANFETAMINAS

 

A grande controvérsia em torno do uso de anfetaminas na obesidade baseia-se em três vertentes:

 

1. Riscos cardiovasculares devidos ao aumento de adrenalina;

 

2. Efeito rebote após a cessação do uso, podendo haver recuperação do peso eliminado e mais alguns quilos;

 

3. Sua ação central pode induzir a alterações comportamentais, prejudicando os relacionamentos profissionais e familiares e/ou desencadeando doenças latentes, neurológicas ou psiquicas.

 

 

Mais de 90% dos usuários de anfetaminas são mulheres, principalmente as que têm sobrepeso ou são obesas. No entanto, mulheres magras, com rígido controle de peso - algumas até por exigências profissionais externas ou aspectos subjetivos (modelos, bailarinas) distorção da própria imagem corporal ou portadoras de transtornos alimentares (por exemplo, anorexia nervosa), estimuladas por determinados segmentos sociais e por padrões sazonais midiáticos, são facilmente seduzidas pelo efeito inicial eficaz e rápido das anfetaminas no controle ou diminuição do peso. A maioria não tem nenhuma indicação médica para o uso de remédios à base de anfetaminas como auxiliares na perda de peso. Infelizmente, há venda irregular pela internet e por serviços de telentrega, academias de ginástica e determinados setores de manipulação de medicamentos. Entre 20 e 30 toneladas de matéria-prima para a produção de anfetaminas são fabricadas ou entram no país a cada ano. Sessenta e seis por cento dos usuários consomem a substância por mais de seis meses. É o dobro do tempo máximo tolerado pelos médicos (SNA, 2006). Recentemente, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) tomou medidas regulamentares rigorosas para coibir tal abuso.

O uso da anfetamina deve ser bem avaliado no que diz respeito ao custo-benefício, pois o abuso dessa droga entre pessoas com problemas psiquiátricos também está se tornando comum (Regier e cols., 1990). Um estudo (Blanchard e cols., 2000) mostra que 40% a 50% das pessoas portadoras de esquizofrenia usaram a droga em algum momento da vida. Porém, há discrepância entre os dados, dependendo da metodologia empregada pelo estudo.

A anfetamina possui estrutura química bastante semelhante à das catecolaminas, como a dopamina e a norepinefrina, mas, diferente destas, é capaz de atravessar a barreira hematencefálica.

No Brasil, dados do I Levantamento Domiciliar sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas confirma esse panorama. O referido levantamento foi construído com amostra de 41,3% da população total do país, sendo 57% de pessoas do sexo feminino. O álcool e o tabaco foram apontados como os problemas de saúde pública mais proeminentes no país, com maior percentual de uso entre pessoas do sexo masculino. O uso de maconha (6,9%) e solvente (5,8%) foi predominante também entre os homens. O uso de benzodiazepínicos e anfetamínicos mostrou-se, porém, três vezes maior entre as mulheres.

Embora informações sobre mulheres usuárias de drogas, entre elas as anfetaminas, sejam escassas, estudos nacionais e internacionais recém-publicados destacam o enfrentamento de barreiras de ordem estrutural, sistêmica, social, cultural e pessoal pelas mulheres na busca e permanência de tratamento no consumo de drogas psicoativas. Preconceito e discriminação, sobretudo por parte de profissionais da saúde, são apontados como as principais barreiras. A pouca visibilidade de usuárias de drogas em serviços especializados constitui preocupação recente na agenda de formadores políticos e de órgãos financiadores.

Geralmente, depois da interrupção do tratamento com esse tipo de composição mirabolante de fórmulas para emagrecimento, que muitas vezes são prescritas como sendo naturais, é preciso cuidado redobrado. Quem consumiu remédios para emagrecer costuma engordar mais do que antes e apresenta mais dificuldade para perder peso, já que, depois de uso continuado da anfetamina, o metabolismo fica lento e a capacidade de queimar gordura diminui. Inibidores de apetite em conjunto com medidas de reeducação alimentar e atividades físicas podem ter papel importante no tratamento da obesidade, mas seu uso não pode ser vulgarizado de maneira nenhuma. Quem quer emagrecer precisa de acompanhamento médico sério, com enfoque multiprofissional. Acreditar apenas em formulações contendo as populares “bolinhas” é ineficaz e muito arriscado. A melhor solução para um emagrecimento saudável e definitivo permanece, então, bem distante das promessas das fórmulas e dietas da moda. A adoção de alimentação balanceada e a prática de exercícios físicos regulares continuam a ser a escolha mais adequada. Além da mudança de hábitos e, claro, muita persistência.

Não há fórmulas mágicas como alguns marqueteiros apregoam. A farmacologia da obesidade ainda é muito limitada, com poucas opções. Nos próximos anos, provavelmente tal realidade mudará com a nova era da farmacogenômica e o melhor entendimento das vias metabólicas complexas que regulam, por exemplo, a queima de gorduras, o apetite e a saciedade.

O consumo de substâncias psicoativas não é recente. O conhecimento deste hábito tem origem em séculos anteriores, em que sociedades primitivas fizeram delas uso e modo ritualísticos. As décadas de 1960 e 1970, no entanto, experimentaram uma verdadeira explosão do consumo de substâncias psicoativas pelos jovens.

O fato de as primeiras experiências com anfetaminas ocorrerem com maior frequência na adolescência evidencia a importância de estudar este grupo, pois os jovens estão cada vez mais obcecados com a forma física em detrimento da saúde física e mental.

Compreende-se que os medicamentos para emagrecimento - especificamente os que contêm anfetamina - são cada vez mais consumidos por jovens e adultos, e que se tomam fator prejudicial à saúde a partir do momento em que são usados de modo corriqueiro, sem acompanhamento médico.

As anfetaminas são substâncias químicas que causam dependência, com efeitos colaterais graves e sistêmicos, mas que mesmo assim ainda são utilizadas, na maioria das vezes, sem orientação médica, por uma grande quantidade de pessoas que querem perder peso.

Essas pessoas optam pelo mais cômodo e fácil - a utilização pura e simples do medicamento - esquecendo-se de que o peso corporal é proporcional à ingestão calórica, e de que, para sua perda, se faz necessária uma tríade fundamental: dieta balanceada, atividade física e uso de medicação sob prescrição e acompanhamento médico.

Nos dias atuais, até mesmo pessoas consideradas esbeltas ou magras preocupam-se em demasia com a forma física, mesmo que isso custe a própria saúde e a qualidade de vida. Segundo o antropólogo francês DaviçJ Le Breton, conhecido como o maior especialista do mundo em corporeidade, a análise do corpo no contexto social proclama que este não pode ser visto como unidade do homem, sob pena de insegurança absoluta escondida numa boa ou má aparência. “Corpo e ser são indissociáveis, tanto que não dizemos 'ali vai aquele corpo', mas 'ali vai aquela mulher ou aquela pessoa’, afirma o mestre de Estrasburgo e membro do Institut Universitaire de France. E implora para que as pessoas cuidem de sua sanidade mental, cultivem a inteligência e o interesse, envolvam-se com as questões mais profundas dos apelos da alma e busquem um sentido espiritual de sua existência, jamais fazendo do corpo o único e absoluto valor, o objeto de consumo, assinado como se fosse um design em nome da aprovação determinada hoje pela mídia - o que não diminui a importância corpórea como um todo, pelo contrário. O corpo não é apenas um suporte; é a raiz identificadora, nossa comunicação com o mundo. Faz parte da individuação plena. A vaidade não só é necessária como também é um importante recurso de autoestima, desde que não ultrapasse o limite saudável do psiquismo: o de estar além de nossos anseios internos, das pequenas vitórias da ética e da dignidade, o que nos garante o auto respeito e a verdadeira autoconfiança (Luiz Alca de Sant’anna). A sagrada interioridade não pode ser escravizada pelo marketing massacrante. Como dizia Saint-Exupéry, “o essencial é invisível aos olhos; só se vê com o coração”.

Essas pessoas optam pelo mais cômodo e fácil - a utilização pura e simples do medicamento - esquecendo-se de que o peso corporal é proporcional à ingestão calórica, e de que, para sua perda, se faz necessária uma tríade fundamental: dieta balanceada, atividade física e uso de medicação sob prescrição e acompanhamento médico.

Nos dias atuais, até mesmo pessoas consideradas esbeltas ou magras preocupam-se em demasia com a forma física, mesmo que isso custe a própria saúde e a qualidade de vida. Segundo o antropó¬logo francês DaviçJ Le Breton, conhecido como o maior especialista do mundo em corporeidade, a análise do corpo no contexto social proclama que este não pode ser visto como unidade do homem, sob pena de insegurança absoluta escondida numa boa ou má aparência. “Corpo e ser são indissociáveis, tanto que não dizemos 'ali vai aquele corpo’, mas ‘ali vai aquela mulher ou aquela pessoa’, afirma o mestre de Estrasburgo e membro do Institut Universitaire de France. E implora para que as pessoas cuidem de sua sanidade mental, cultivem a inteligência e o interesse, envolvam-se com as questões mais profundas dos apelos da alma e busquem um sentido espiritual de sua existência, jamais fazendo do corpo o único e absoluto valor, o objeto de consumo, assinado como se fosse um design em nome da aprovação determinada hoje pela mídia - o que não diminui a importância corpórea como um todo, pelo contrário. O corpo não é apenas um suporte; é a raiz identificadora, nossa comunicação com o mundo. Faz parte da individuação plena. A vaidade não só é necessária como também é um importante recurso de autoestima, desde que não ultrapasse o limite saudável do psiquismo: o de estar além de nossos anseios internos, das pequenas vitórias da ética e da dignidade, o que nos garante o auto respeito e a verdadeira autoconfiança (Luiz Alca de Sant'anna). A sagrada interioridade não pode ser escravizada pelo marketing massacrante. Como dizia Saint-Exupéry, “o essencial é invisível aos olhos; só se vê com o coração”.