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 TAG - Transtorno de Ansiedade Generalizada

por Prof. Dr. Joel Rennó Jr.

 Picasso, Mulher Chorando

 

 O Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) é uma das doenças afetivas mais comuns e incapacitantes. Porém, ainda é sub diagnosticada com vários tratamentos inadequados sendo realizados. Caracteriza-se por excessiva ansiedade e preocupação na maior parte dos dias, por um período superior a seis meses. A preocupação é difícil de ser controlada. Leva a uma enorme incapacitação, com prejuízos de diversas ordens.

Ansiedade, preocupação ou sintomas físicos causam estresse clínico significativo ou impedimento social e/ou ocupacional nas mulheres que sofrem de TAG.

Sintomas da ansiedade:

Mais do que três dos seguintes sintomas devem estar presentes no diagnóstico, como:

INQUIETUDE, FADIGA FÁCIL, DIFICULDADE DE CONCENTRAÇÃO, IRRITABILIDADE, TENSÃO MUSCULAR, DISTÚRBIOS DO SONO.

Pode haver tremores, abalos e dores musculares, nervosismo ou irritabilidade associados à tensão muscular. Muitos indivíduos com transtorno de ansiedade generalizada também experimentam sintomas somáticos (mãos frias e pegajosas, boca seca, sudorese, náusea, diarreia, frequência urinária, dificuldade para engolir ou "nó na garganta”) e uma resposta de sobressalto exagerada.

Tais sintomas não podem ser decorrentes de doença clínica ou de medicamentos, ou até mesmo de drogas.

A comorbidade (associação a outros transtornos mentais) ocorre entre 80% e 90% dos pacientes. Outros transtornos de ansiedade podem ocorrer entre 50% e 60%. Depressão maior ocorre em mais de 60% dos pacientes, piorando o prognóstico.

Características e transtornos associados

Frequentemente, o transtorno de ansiedade generalizada é concomitante a transtornos do humor (transtorno depressivo maior ou transtorno distímico), a outros transtornos de ansiedade (transtorno de pânico, fobia social, fobia específica) e a transtornos relacionados a substâncias (dependência ou abuso de álcool ou de sedativos hipnóticos ou ansiolíticos). Outras condições associadas ao estresse (síndrome do cólon irritável, cefaleias) constantemente acompanham o transtorno de ansiedade generalizada.

Características especificas à cultura, à idade e ao gênero

Existe considerável variação cultural na expressão da ansiedade (em algumas culturas, a ansiedade é expressada, predominantemente, por sintomas somáticos; em outras, por sintomas cognitivos). É importante considerar o contexto cultural ao determinar se as preocupações com certas situações são excessivas.

TAG em crianças e adolescentes

Em crianças e adolescentes com transtorno de ansiedade generalizada, ansiedade e preocupação frequentemente envolvem a qualidade de seu desempenho na escola ou em eventos esportivos, mesmo quando este não está sendo avaliado por outros. Pode haver preocupação excessiva com a pontualidade. Essas crianças e adolescentes também podem se preocupar com eventos catastróficos, como terremotos ou guerra nuclear. As crianças com o transtorno podem ser excessivamente conformistas, perfeccionistas e inseguras, apresentando tendência a refazer tarefas em razão de muita insatisfação com um desempenho menos que perfeito. Demonstram excessivo zelo na busca de aprovação e exigem constantes garantias sobre seu desempenho.

 

Prevalência

Cerca de 2/3 dos indivíduos acometidos são mulheres. Alguns trabalhos demonstram prevalência de 5% de pessoas acometidas pelo TAG ao longo da vida. A proporção de mulheres acometidas gira em tomo de 10%.

Curso

Muitos indivíduos com transtorno de ansiedade generalizada afirmam que sentiram ansiedade e nervosismo durante toda a vida. Embora mais da metade daqueles que se apresentam para tratamento relatem o início na infância ou adolescência, o transtomo após os 20 anos também ocorre. O curso é crônico, mas oscilante, e frequentemente piora durante períodos de estresse.

 

Linhas gerais do tratamento

Os fatores genéticos são particularmente importantes no sexo feminino. Distimia (subtipo de depressão leve e crônica) também é mais comum. O tratamento envolve ênfase em psicotera- pia cognitiva e comportamental, medicamentos antidepressivos, exercícios físicos, mudanças de certos hábitos (tabagismo, álcool, dieta), manejo da insônia e manejo racional das preocupações (tempo gasto para manejar ou organizar as preocupações). Técnicas de meditação e relaxamento também são coadjuvantes.