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Atividade Física Regular:

vida melhor para os portadores do HIV

 

 

(Rubens Gershman, 1977, Ciclista Tropical)

 

por Dr. Jean Gorinchteyn

 

EXERCÍCIO FÍSICO É FUNDAMENTAL
 

A orientação dada ao paciente é que toda mudança de hábito positiva irá se reverter sim, a seu favor — eis uma verdade que se deve incutir nos portadores do vírus HIV. As pesquisas científicas — e a prática clínica — mostram isso de forma muito evidente.

 

É consenso médico a importância do exercício físico para a manutenção da saúde. Isso inclui, obviamente, benefícios também para o tratamento da AIDS. A prática física tem repercussões abrangentes. Uma das mais importantes é a melhora das condições cardiovasculares, ou seja, de todo o sistema de bombeamento do sangue para os órgãos do corpo.

 

Entre outras funções, o exercício físico contribui para o controle do colesterol ruim — aquele que entope as artérias — e aumenta o chamado colesterol bom, que ajuda a limpar os vasos sanguíneos do acúmulo de gordura.
 

 

Além disso, a atividade física auxilia no controle da pressão arterial, do diabetes e de outros problemas bastante comuns ao longo do envelhecimento.

 

No caso da musculação, há um benefício bastante relevante e específico para os portadores de HIV. A modalidade promove a hipertrofia dos músculos, o que ajuda a disfarçar os efeitos da lipodistrofia — problema caracterizado pela ausência ou acúmulo de gordura em determinados pontos do corpo, gerando um efeito estético desagradável. Com o crescimento da massa muscular obtido graças à musculação, áreas afetadas pela pouca gordura acabam sendo preenchidas. A musculação também evita o nítido afilamento de braços e pernas que tende a ocorrer por causa do uso dos remédios antirretrovirais.

 

O exercício físico fornece ainda outro efeito fundamental: a sensação de prazer e de bem-estar. Quem já fez alguma atividade física sabe do que se trata, a sensação gostosa que o indivíduo sente após uma sessão de exercícios é causada pela descarga de endorfina que o corpo recebe após cerca de 30 minutos de exercícios. As endorfinas são substâncias liberadas pela hipófise, glândula localizada no cérebro, que funcionam como uma espécie de bálsamo. Endorfinas aliviam a dor e ajudam a manter o bem-estar.

 

É por essa razão que o exercício físico é considerado uma indicação de tratamento complementar para doenças que afetam o humor, como a depressão, e também para diminuir o estresse. A manutenção desse estado de pensamento positivo fortalece os pacientes para lutar contra a doença. Um indivíduo estressado tem contra si a ansiedade, o desânimo e também uma queda no poder de seu exército de defesa. É tudo o que não se quer no tratamento de nenhuma doença e em especial no caso da AIDS, cujo principal alvo é justamente o sistema imunológico.