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Sexo Seguro

por Dr. Jean Gorinchteyn

 

(Jean-Marc Nattier, 1744, A aliança entre o amor e o vinho)

 

Para o sexo seguro, duas coisas são fundamentais: Informação e camisinha.
A informação está aqui, a camisinha é com você!
 


O uso do preservativo na relação sexual evita o risco de contrair além do HIV, outras doenças, como o vírus da hepatite B, o HPV, que pode levar ao câncer cervical, e outras Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs).

Precisa ficar claro para quem tem vida sexual que o preservativo é a única forma segura de se prevenir.

O HIV pode ficar latente no interior das células infectadas por bastante tempo. Há casos de pessoas que só manifestaram algum sintoma 10 ou 15 anos depois da exposição ao vírus. Então, por mais que você esteja apaixonado (a) e/ou confie no seu parceiro (a), você não tem como saber, sem fazer exames, se esse parceiro (a) está ou não infectado pela AIDS.

Os sintomas aparecem quando os linfócitos T, tipo CD4, caem abaixo de 200 unidades por mm3 de sangue. Em geral, a quantidade dessas células no sangue de adultos saudáveis é, em média, de 800 a 1.200 unidades. São sintomas típicos da AIDS: diarreia persistente, dores de cabeça, contrações abdominais, febre, falta de coordenação, náuseas, vômitos, fadiga extrema, perda de peso, câncer.

COMO FAZER SEXO SEGURO

1. O BEIJO
Não existem evidências científicas sobre a transmissão de HIV pelo beijo. Seria necessário haver uma lesão grave na gengiva e sangramento bucal. E ainda que o HIV possa ser encontrado na saliva, existem substâncias na própria saliva com capacidade de neutralizá-lo. Portanto, beijar na boca, fumar o mesmo cigarro ou tomar água no mesmo copo não oferecem riscos.

2. SEXO ORAL SEM CAMISINHA
O risco é menor do que por meio do sexo vaginal, anal ou compartilhamento de seringas. Neste caso, a prática oferece risco maior para quem pratica (o parceiro ativo), dependendo da carga viral de quem recebe. O risco aumenta se houver ferimentos na boca de quem pratica (gengivites, aftas, machucados causados pela escova de dente). Caso não haja nenhum ferimento na boca, o risco de contágio é menor. A prática do sexo oral desprotegido também aumenta o risco de contrair herpes, uretrite, hepatite B ou HPV.

3. FERIMENTOS NOS GENITAIS
As feridas ou machucados facilitam o contato do sangue com secreções, elevando o risco de infecção. Geralmente, essas feridas, assim como corrimentos, bolhas e verrugas, são resultado de alguma DST. O uso de preservativos em todas as relações sexuais é o método mais eficaz para reduzir o risco de transmissão tanto das DSTs quanto do vírus da Aids.

4. RELAÇÃO SEM EJACULAÇÃO e MASTURBAÇÃO A DOIS
As secreções expelidas antes da ejaculação e secreção da vagina contêm o vírus da AIDS.
Não havendo troca de sangue, sêmen ou secreção, a prática da masturbação a dois não implica qualquer risco de infecção pelo HIV.

5. RISCO AUMENTADO
Toda relação sem preservativo é arriscada, mas os riscos aumentam com relação anal receptiva, durante o período menstrual ou na presença de outras doenças sexualmente transmissíveis.
Em relações vaginais, as mulheres são mais susceptíveis do que os homens, pois a concentração do vírus é maior no esperma do que na secreção vaginal. Por isso, recomenda-se o uso do preservativo em todas as relações sexuais.

Sexo anal sem camisinha é uma prática considerada de alto risco, e o parceiro passivo corre maior risco. O reto e o ânus são órgãos com intensa irrigação sanguínea e sem lubrificação própria. Por essa razão, o sexo anal é uma fonte de fácil transmissão de doenças por via sanguínea, como hepatite e Aids. Sabendo disso, nessas relações é ainda mais importante o uso do preservativo. É recomendável usar também um gel à base de água, a fim de evitar um rompimento do preservativo devido ao atrito da camisinha com o ânus.

COMO USAR A CAMISINHA masculina
Testes feitos nos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos da América com 40 marcas mais usadas no mundo mostraram que elas são impermeáveis ao vírus da Aids e outros micro-organismos causadores de doenças sexualmente transmissíveis. A camisinha é a melhor proteção contra a doença.

• Abra a embalagem com cuidado. Não faça isso com os dentes ou com outros objetos que possam danificá-la.
• Coloque a camisinha somente quando o pênis estiver ereto
• Na hora de colocar, aperte a ponta da camisinha para retirar todo o ar e depois desenrole a camisinha até a base do pênis.
• Se precisar de lubrificantes, use os feitos à base de água. Evite os que contêm vaselina e outros lubrificantes à base de óleo.
• Após ejacular, retire a camisinha com o pênis ainda ereto, fechando com a mão a abertura para evitar que o esperma vaze de dentro da camisinha. Dê um nó no meio da camisinha para depois jogá-la no lixo. Nunca use a camisinha mais de uma vez.
• Não utilize preservativos guardados há muito tempo em locais abafados, como bolsos de calça, carteiras ou porta-luvas de carro, pois ficam mais sujeitos ao rompimento.
• Use um preservativo por vez. Os preservativos sobrepostos podem se romper com o atrito.
• Na hora da compra, confira na embalagem se o produto traz a identificação completa do fabricante ou do importador. Observe as informações sobre o número do lote e a data de validade e verifique se a embalagem do preservativo traz o símbolo de certificação do INMETRO — Instituto Nacional de Metrologia, cuja finalidade é atestar a qualidade do produto.

SE O PRESERVATIVO ESTOURAR
A ruptura da camisinha implica risco real de aquisição da infecção por HIV. Independentemente do sexo do parceiro, o certo é interromper a relação e realizar uma higienização. A higiene dos genitais deve ser feita da forma habitual, com água e sabão. Não é necessário o uso de substâncias químicas, que aumentam as chances de ferir pele e mucosas e elevam o risco de contágio pela quebra de barreiras naturais de proteção ao vírus. As pesquisas têm mostrado que a maior parte dos casos de ruptura dos preservativos durante o ato sexual ocorre por uso incorreto.

O MACHISMO ATRAPALHANDO
Um dos motivos da resistência ao uso da camisinha é que no Brasil ainda se valoriza comportamentos machistas, e a grande vítima disso é a mulher. É comum as esposas não terem coragem de pedir aos seus maridos para começarem a usar camisinha por causa das relações extraconjugais deles. No Brasil, porém, quem ainda dá a palavra final se o preservativo será ou não usado é o homem. Por isso, cada vez mais, o uso do preservativo feminino é uma garantia para a mulher.