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UM ESTRANHO E INEXPLICÁVEL SONHO

António de Andrade Albuquerque (Dick Haskins)

 

 

 

Mas podem ocorrer sonhos extremamente curtos e nítidos que duram apenas segundos

             Todos sonhamos e, por norma, recordamo-nos do que sonhámos, mas nem sempre o conseguimos com o pormenor que seria desejável, principalmente quando nos interessa – mesmo por motivos fúteis - «recapitular», já acordados, o que foi o nosso sonho. Nem sempre, talvez mesmo na maioria das vezes, conseguimos uma recordação perfeitamente «nítida e entendível» do argumento do sonho! Contudo, quer nos recordemos ou não do que sonhámos, sabemos sempre – ao acordar ou um pouco mais tarde – que tivemos um agradável ou desagradável sonho, ou um pesadelo culpado pela má disposição que vamos sentir durante o dia que se segue. Mas – e fundamentalmente – sabemos que sonhámos, não temos a menor dúvida de que tivemos um sonho, mais ou menos agradável, ou… um pesadelo.

               

              Mas podem ocorrer sonhos extremamente curtos e nítidos que duram apenas segundos – sessenta segundos ou pouco mais do que este curtíssimo espaço de tempo -período suficiente para tomarmos clara consciência de que algo está a acontecer, acabou de acontecer ou… «ainda pode acontecer»! E, nestas condições, somos levados a pensar: tive um sonho vulgar, banal ou… ou o sonho que acabo de ter se engloba no que nos «transcende», se limitou a ser o «veículo de transporte» de um aviso urgente que nos foi dirigido…?

               

              Há relativamente pouco tempo, recebi um «alerta urgente» através de um «sonho-veículo» que terá excedido em muito pouco a insignificância de sessenta segundos: Dirigia-me para a saída de uma igreja e detive-me junto da única vela acesa, entre as restantes já apagadas, num tabuleiro preto. Por admitir que essa vela acesa podia dar origem a um incêndio, apaguei-a e dirigi-me para a saída da igreja. E acordei nesse momento. Do quarto onde dormia - que comunicava com um pequeno átrio e este com a sala de estar – vi uma relativamente reduzida e estranha imagem projectada numa parede da sala: num rectângulo com a cor creme por fundo, linhas finas e vermelhas moviam-se no sentido ascendente. Surpreendi-me, naturalmente, com essa estranha visão, saí da cama e dirigi-me à sala…

              O estranho rectângulo projectado numa das paredes desapareceu… mas no lado oposto da sala, um já muito adiantado início de incêndio provocado por uma vela – que não tinha sido apagada por esquecimento – já alastrava ao longo da extensa parte superior do armário onde tinha caído. O fogo, conduzido pela cera derretida,  já estava a queimar um tapete, a uma curta distância de uma estante com largas dezenas de livros…

              O incêndio – numa fase inicial já adiantada – foi, portanto, extinto a tempo e…e o  pior, o que teria sido muito mais grave, também foi evitado!

               A justificação do sonho estava encontrada, mas se o sonho não passou de meio de comunicação para atalhar o que poderia ter dado origem a uma situação dramática, Quem poderá ter feito essa comunicação…? 

 

 

 

O Sonho de São José, Georges de La Tour, 1610