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Atividade Física (Não é Só Academia...)

Por Prof. Dr. Alfredo Halpern

Qualquer movimento, qualquer atividade, faz você queimar calorias. Assim, se você é inimigo dos esportes, não os pratique, mas movimente-se mais!

 

Degas, Aula de Dança

 

 

Para deslocar o balanço entre ganho e perda calórica para o lado desta, devemos aumentar nosso gasto energético.

Vamos relembrar os componentes do gasto calórico: metabolismo de repouso, gasto calórico dos alimentos e atividade física. Está claro que, por um método não medicamentoso, só podemos aumentar a quei­ma calórica através de atividade física.

E como aumentar a atividade física? Imediatamente vêm à mente os exercícios, a ginástica, os esportes! Isso é só parte da verdade. A prática de atividade física programada é importante, mas não é a única.

 

Claro que é interessante que a pessoa vá a uma academia de ginástica — e como estão proliferando as academias! — ou nadar, fazer balé, jogar tênis, várias vezes por semana. Mas há alguns obstáculos. Exem­plo: há pessoas que têm uma dificuldade própria, natural, para praticar esporte. Eu diria que essa dificuldade é até genética, pois alguns estudos revelam que bebês apresentam movimentos físicos diferentes entre si e que filhos de mães obesas tendem a se movimentar menos. Desde a fase em que ainda são bebês! Há ainda pessoas que não têm tempo para pra­ticar esportes. E aquela frase “Tempo se arranja” é extraordinariamente antipática e frequentemente irreal.

 

Eu poderia citar diversos obstáculos (inclusive econômicos), mas saliento o seguinte: o excesso de exercícios físicos pode fazer mal, particularmente se o indivíduo deixar de praticá-los. Alguns estudos apontam que há mais chances de ocorrer uma doença cardiovascular em indivíduos que praticaram esporte em excesso e deixaram de fa­zê-lo do que nos sedentários, e isso ocorre paralelamente com o ganho de peso.

Portanto, acredito que, como princípio básico, se não formos atletas, deveremos aumentar nossa atividade física programada, mas sem exagero. Exemplo: 30 minutos de uma atividade física diária, tipo bicicleta ergométrica, ou esteira, atividades ideais para quem não tem tempo, porque podem ser feitas em casa por pelo menos quatro dias por semana.

 

Mais ainda: devemos nos esforçar para aumentar a atividade física não programada, diária. O que isso significa? Significa que devemos procurar andar mais, deixar mais vezes o carro na garagem, jogar bola descontraidamente, subir escadas (e não usar elevadores com tanta frequência) quando o número de andares não for grande e, claro (principalmente para as crianças), ficar menos tempo diante da televi­são e dos videogames e computadores, que, se por um lado aprimoram o raciocínio, por outro estragam o corpo.

 

William Dietz, pesquisador americano, mostrou, anos atrás, que a televisão era o grande responsável pelo aumento da obesidade entre as crianças nos Estados Unidos.Não tenho dúvida de que isso também ocorre no Brasil (tanto a televisão quanto o computador).

 

É frequente vermos tabelas que correlacionam calorias gastas nos exercícios com alimentos ingeridos, tipo “para queimar uma banana, devemos correr 2km”. Desanimador, não é? Não, porque o raciocínio está incorreto! O que queimamos em 24 horas é a soma de todas as atividades físicas diárias!

Qualquer movimento, qualquer atividade, faz você queimar calorias. Assim, se você é inimigo dos esportes, não os pratique, mas movimente-se mais!

 

Finalmente, não espere um resultado miraculoso de perda de peso com o aumento da atividade física; você verá a resposta apenas depois de algum tempo. Um pesquisador estudou obesos graves, que fariam qualquer coisa para perder peso, exceto comer menos; ele, então, os submeteu a um programa de atividade física intensiva diária, por um ano. A perda de peso média foi de 9kg. Ótimo, não? Mas sabe quanto isso dá por mês? Menos de 1kg!

 

Imagine então o obeso não tão grave, com uma atividade física não tão intensa! Mas é preciso lembrar que, além de levar à perda de peso, que não é enorme, mas é importante, a atividade física desenvolve a musculatura, que é peso “bom”, aumenta o colesterol bom, diminui a pressão arterial, ajuda muito no controle de diabetes, proporciona bem-estar psíquico, previne a demência, reduz a incidência de alguns tumores malignos... chega?