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Obesidade e Preconceito

por Dr. Alfredo Halpern

A moda atual do corpo perfeito, da vida sadia, acabou levando a outro tipo de preconceito: contra aquele que não se cuida.

Bottero, Família

Antigamente o grande preconceito com relação à obesidade era o pensamento que ser gordo era sinônimo de ausência da chamada “força de vontade”. As pessoas adoravam falar em força de vontade: para emagrecer, para deixar o vício do jogo ou da bebida... Hoje, por exemplo, no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, temos ambulatórios apenas para tratar de pessoas que se viciam no jogo. Sabemos que o vício no jogo ou no álcool não é apenas uma questão de força de vontade. Assim como sabemos que a obesidade também não o é.

 

Mas, infelizmente, até hoje existem resquícios desse antigo preconceito na nossa sociedade.

 

A moda atual do corpo perfeito, da vida sadia, acabou levando a outro tipo de preconceito: contra aquele que não se cuida. O fumante e o obeso são exemplos disso. Mal vistos nas ocasiões sociais, mal vistos nas lojas chiques dos shoppings, mal vistos na hora de concorrer por um bom emprego.

 

No entanto, muito mais do que as razões estéticas, a saúde clama pelo peso ideal. O corpo sobrecarregado pelo excesso de gordura vai inevitavelmente sofrer algumas dessas desagradáveis consequências:

- o aparecimento do diabetes;

- a maior incidência de doenças do aparelho circulatório, que vão desde o aparecimento de varizes a riscos cardíacos bastante sérios;

- o aparecimento das artroses, já que é exigido um maior esforço das articulações;

- as doenças do sono... E por aí vai.

Teremos a oportunidade de falar mais longamente sobre essas complicações da obesidade ao longo do tempo, aqui no nosso site.

 

O importante, nesse nosso primeiro contato com o internauta, é a conscientização de que ninguém está condenado a permanecer obeso pela vida afora.

 

É verdade, sim, que algumas pessoas tem mais facilidade para engordar e mais dificuldade para emagrecer do que outras. Mas a instalação da Obesidade não é apenas uma questão de tendência ou de propensão genética. É muito mais do que isso: é uma complexa rede de fatores que vem desde os hábitos de vida até o trânsito dos hormônios.

 

A boa notícia é que tem jeito.